quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
PAUSA PARA AGRADECIMENTOS
Passados os primeiros 30 dias da inauguração deste site, o momento é bastante oportuno para uma breve pausa de agradecimentos e informações sobre o que está sendo feito e o norte que o blog deverá seguir em função do retorno até agora alcançado.
A pequena Andiroba/MG, representada por este site, agradece a todos os visitantes, seguidores e comentaristas pelo apoio, divulgação e, sobretudo, confiança e respeito. Isso tudo é comprovado, em parte, pelos comentários até agora postados, a seguir relacionados:
André Braga disse...
Muito bom o texto.
Realmente percebemos o descaso que há com essa comunidade tão bela e cheia de potenciais por parte das autoridades públicas.
Espero que com esse blog, e com a futura divulgação do mesmo junto à comunidade, inclusive os sitiantes, possamos construir uma comunidade melhor para se viver.
Um grande abraço!
11 de dezembro de 2009 00:57
Adriano disse...
Gostaria primeiramente de parabenizar o Sr. Eder Braga pelo texto, esclarecendo de forma concisa a real situação do distrito de Andiroba.
Em segundo lugar, venho por meio deste para agregar forcas, pois conheço Andiroba e vejo que o distrito merece mais atenção. As autoridades devem cumprir seus direitos e principalmente seus deveres, não só com o distrito, mas sim com toda a região que são de sua responsabilidade. Se o trabalho for feito com seriedade, dignidade e principalmente como já foi dito, responsabilidade, o distrito podera sim ter mais presente seus direitos que estão expressos na constituicão.
Grande Abraço
11 de dezembro de 2009 12:31
Pe. Flávio disse...
Em primeiro lugar saúde e paz. Éder ficou muito bom este primeiro artigo situando esta comunidade e, dando dicas sobre o desleixo das autoridades em relação a este distrito. Deus lhe abençoe...Pe. Flávio
11 de dezembro de 2009 13:43
Juliana disse...
Estou muito feliz em poder divulgar a nossa querida comunidade de Andiroba. Todos vão adorar descobrir, conhecer e partilhar conosco as maravilhas do lugar, incluindo-se as belezas naturais e o povo acolhedor. Juliana
11 de dezembro de 2009 23:05
Tânia e Concetta disseram...
Eder, esta é uma iniciativa louvável. Prova a sua capacidade de sentir esta cidade que tem trazido, a você, a sua família e àqueles que têm o privilégio de conviver com vocês neste recanto, tantos momentos de lazer e paz. Parabéns, siga em frente! Tmpaixão
12 de dezembro de 2009 08:08
Bárbara disse...
Adorei o texto, descreveu bem a real situação de Andiroba, uma cidade que merece todo o respeito e dignidade perante os seus moradores, que carecem e necessitam de cuidados, seja eles médicos, jurídicos, educação, lazer, enfim, pois todos englobam não só uma questão de política mas principalmente de saúde. Bju a todos...
Pozinha...(Bárbara)
12 de dezembro de 2009 12:14
cleide disse...
ficou muito bom a gora quem sabe alguém acorde e pelo menos faça alguma coisa por nos
12 de dezembro de 2009 12:39
maria auxiliadora disse...
Faz tempo que conheci Andiroba, ainda nem tinha água encanada em vários lugares. Lá também conheci pessoas legais, inclusive uma senhorinha benzedeira muito simples e simpática. Agora voltei e notei muitas mudanças, pra melhor. É um lugar muito lindo, aonde a natureza ainda é SENHORA DE SI.abraços Dôra
14 de dezembro de 2009 21:30
Elaine e Amilton disseram...
OOOOiiiii Éder e Ju
Gostei muito de ter podido conhecer Andiroba e saber que existe pessoas tão especiais como vocês, que se preocupam com o bem estar de pessoas tão carentes e esquecidas pelos governantes que tem condições e deveriam fazer alguma coisa por eles. Acho muito legal a iniciativa de vcs, por fazer e não ficar só reclamando dos políticos. Vivemos num mundo muito materialista de pessoas egoístas. Atitudes como a de vcs fazem a diferença.
Um grande abraço,
Elaine e Amilton
15 de dezembro de 2009 11:07
Leninha disse...
Achei super legal esse espaço que a nossa querida Andiroba acaba de receber,pois esse lugar para mim é considerada um pedacinho do céu.
Pois aqui nossas crianças são livres, o povo é muito carismático, e levamos uma vida muito saudável pois aqui não existe poluição.
Mas também aqui iremos exigir nossos direitos de cidadãos.
Parabéns!
Leninha Gomes.
15 de dezembro de 2009 15:07
Jeane disse...
Éder,
Parabéns pela iniciativa.
Adorei estar com você, Juliana e André em
ANDIROBA, que tem recebido dado e recebido muito de vocês.
Tenho certeza que a sua família não foi parar lá por acaso, bastou ver vocês na comunidade, atuantes e queridos, para concluir isto.
O Natal que passamos juntos, foi maravilhoso, espero repetir outros.
Sucesso, muito sucesso, e, que consigam verbas para aumentarem os trabalhos em prol da comunidade.
Um grande abraço, com carinho,
Jeane.
17 de dezembro de 2009 00:32
Tânia e Concetta disseram...
Eder , meu amigo: estou surpresa com o desenvolvimento do site. De repente temos até um som embalando-nos enquanto navegamos. Adorei amigo; você é dez. Na oportunidade quero desejar a todos da comunidade de Andiroba um Feliz 2010.Tânia e Concetta
25 de dezembro de 2009 11:14
Marquinhos disse...
Somente Deus poderá retribuir a mais esta iniciativa de amor e carinho que o Éder teve para com a nossa comunidade. São gestos como esse que fazem a diferença e devolvem a esperança para o povo tão sofrido e esquecido. Parabéns e conte sempre comigo! Um grande abraço...Marcos Eurélio
6 de janeiro de 2010 19:15
Tânia e Concetta disseram...
Prezado Eder,
Você sempre está inovando e começamos o ano de 2010 cheio de novidades no nosso blog. Muito boa as mudanças. Já registrei em meus favoritos o novo endereço. Olha, lindas mensagens . Parabéns. As fãs Concetta e Tânia.
6 de janeiro de 2010 19:22
Anônimo disse...
As músicas e o blog estão ótimos.
7 de janeiro de 2010 22:09
Anônimo disse...
Parabens
7 de janeiro de 2010 22:11
Pe. Flávio disse...
Éder, o blog e as músicas são de muito bom gosto. PARABÉNS.
Pe. Flávio
7 de janeiro de 2010 22:14
cleide disse...
Ola. Bbom estamos no ano de 2010 começa o ano e as nossas crianças vão para escola. Os nossos filhos que estudam em Melo Viana, o 2ººgrau. A gente não tem sossego enquanto eles não chegam em casa. Eu acho um absurdo eles terem que sair de andiroba as 17:00 e só chegam as 23:00. Parece que Andiroba não tem escola pra suportar os alunos do 2º . Isso é uma vergonha...
pra o estado. Todo ano é a mesma coisa.
9 de janeiro de 2010 12:48
Ivan disse...
Éder, o blog está muito legal. Finalmente consegui enviar um comentário.
Pelo respeito que vocês têm por Andiroba e, principalmente, pelos moradores do local, acho que cabe aqui a seguinte frase de Goethe:
"Os maiores homens que conheci, a cujo olhar nem a terra, nem o céu tinham segredos, eram humildes e sabiam perfeitamente o grau de respeito que cabia a cada criatura".
Andiroba é, realmente, um lugar maravilhoso e vocês contribuem para que melhore cada vez mais. Um forte abraço a todos. IVAN - 9/1/2010
9 de janeiro de 2010 19:03
Iviny disse...
Éder,em 1° lugar gostaria de parabenizá-lo por essa ótima iniciativa de criar esse blog para andiroba.Eu achei o máximo!
Parabéns,que Deus te ilumine!!!
bjos... Iviny
23 de janeiro de 2010 20:01
Barbara disse...
ADOREI O TEXTO, MUITO BEM ESCRITO...
A HISTÓRIA É AO MESMO TEMPO ENGRAÇADA E INUSITADA...
BJU GRANDE...
O BLOG ESTÁ CADA DIA MELHOR!!!!
12 de janeiro de 2010 14:44
Guga disse...
OLA PESSOÁ....NÃO PUDE CONHECER PESSOALMENTE O BAIANO...MAS "PENSE"..NUM "HOMI" BRUTO...
QUE HISTÓRIA HEIN!!...
PARABÉNS BLOGUEIROS DE ANDIROBA...
ACABARAM DE GANHAR UM APRECIADOR DE SUAS HISTÓRIAS.....
TIÃO....
13 de janeiro de 2010 13:32
André Braga disse...
Apesar de triste, pois se trata de uma tentativa de assassinato, ou seja, um ato de violência, essa história é, ao mesmo, engraçadíssima, devido à maneira como foi escrita (muito bem por sinal).
Excelente texto PAI!
Parabéns mais uma vez!
13 de janeiro de 2010 14:33
stelinha disse...
Adorei o "causo", e ainda com um final feliz, é melhor ainda.
Gostei muito da historia de vida dele, batalhador.
Que Deus nos proteja sempre!!!
Um abração em todos,
Stela Máris S. Maia
13 de janeiro de 2010 17:00
Popo disse...
Hahaha, sensacional!!!
Sem duvidas, esse "causo" como diria o Tio Eder é sem sombra de duvidas um dos mais famosos e fascinantes de Andiroba, ainda mais contado por uma pessoa de uma vasta inteligência a qual tenho total admiração.
Espero que com o passar do tempo, as pessoas não deixem alguns fatos esquecido no passado.
Um grande abraço.
Paulo Nobre (Popô)
13 de janeiro de 2010 17:34
IVAN disse...
Caro Éder,
Adorei o "causo". Ainda não conheci o Baiano.
Essa história daria um bom livro e, quem sabe, poderia até virar um filme.
Um forte abraço, seu irmão IVAN.
13 de janeiro de 2010 17:35
TESES E DISSERTAÇÃO disse...
Rsrsrsrrs...
Que figura o Baiano...
Éder, sou o Diego. Aquele que fez missões e ficou em seu sítio, se lembra?
Estou com saudades de todos e desejo novamente estar juntos com vocês este ano.
Adorei o textos. Além da história ser muito interessante é bem parecida com a de milhares de brasileiros nesse pais a fora, estpa muito bem escrita.
Forte abraço em Cristo.
14 de janeiro de 2010 23:11
Juliana disse...
A história de vida do Baiano é de uma emoção muito grande. Apesar da solidão e da precariedade que vive, é uma pessoa sempre alegre e comunicativa. No dia da tragédia fiquei muito preocupada, não conseguia entender aquele gesto tão violento contra uma pessoa tão zem, cuja alegria era passear pelas ruas de Andiroba em seu cavalo e tomar os "licorzinhos". Naquele sábado, durante a missa, pedi ao Deus Trino que ajudasse em sua recuperação.ELE me atendeu.Parabens Éder pelo conto, ficou maravilhoso, aliás, como tudo que você faz.Bjos. Juliana
15 de janeiro de 2010 08:51
Leninha disse...
Eu acompahei toda essa trajetória do baiano, e confesso que também tive medo de encontra-lo quando aqui em Andiroba todos diziam que seu fantasma estava rondando o pedaço.E relembrar tudo novamente com a morte do baiano foi demais.
Pois agora sabendo que essa figura ilustre está viva, até deu pra rir bastante.
Parabéns Eder Braga, você é um artista, quem sabe futuramente estaremos com um livro ou um filme(DVD) sobre a Morte do baiano. Parabéns.
Leninha Gomes.
18 de janeiro de 2010 20:14
Ivan disse...
A religião deve começar, primeiramente, dentro do coração de cada pessoa. A fé deve ser demonstrada com atitudes, para que não seja apenas algo "da boca pra fora". Abraços a todos os andirobenses. Ivan.
21 de janeiro de 2010 14:49
Nathália Castelan disse...
apelido carinho do Carlos paixão... Carlinhos!! kkk tem tbm Cacá!!! Adoro...
Andi eh tudo de bom, gosto mto, costumo dizer q eh o melhor lugar do mundo. Foram lá os melhores momentos da minha vida. Foi lá que conheci mtos dos meus amigos, lá q jah comemorei mtos aniversários, comemorei o resultado do vestibular...
tudo de bom, parabéns pelo blog, gostei d++! =]
29 de janeiro de 2010 19:40
Bárbara disse...
Nossa adorei o texto...
Como assim o Mangababeira chama Lúcio!!hahaha...
Bjus Saudade.
30 de janeiro de 2010 12:37 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Vale ressaltar ainda que há muitos emails enviados diretamente ao administrador do site, sem conta que o número de visitantes já ultrapassou a marca de MIL.
Sem essas participações não haveria motivação para continuar.
Em outra postagem serão mostrados e indicados os sites que têm o link deste Blog, bem como os que publicam os artigos na íntegra. Ate o momento são 45 sites.
Aos interessados em verificar de imediato quais são esses sites, basta digitar no buscador do Google o nome do Blog (andiroba existe)ou os títulos das postagens que aparecerão todos eles.
Enfim, o próximo artigo poderá ser a respeito da comprovação do descaso das autoridades municipais com o distrito de Andiroba ou uma pequena história relacionada a um determinado fato ocorrido na vida do Mangabeira (Lúcio), envolvendo pescaria, drinks, gata, animal feroz e assombração. O que ficar pronto primeiro será imediatamente publicado.
Na próxima semana o vídeo do Baiano narrando rodeio será publicado no Youtube e disponibilizado no Blog. Será o Baiano mesmo ou o Marco Brasil baixou em Andiroba?. Aguardem.
Éder Ângelo Braga- http://andirobaexiste.blogspot.com/
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
ANDIROBA/MG: APELIDOS
ANDIROBA /MG: APELIDOS
De acordo com o dicionário Aurélio,
apelido ou alcunha é cognome geralmente depreciativo que se põe a alguém e pelo
qual fica sendo conhecido, tirado de alguma particularidade física ou moral. Já
epíteto é uma palavra ou frase que qualifica pessoa ou coisa, tornando-se, no
caso de pessoa, quase sempre um apelido.
Na verdade, apelido é o sobrenome, ou seja, o
que está relacionado com a ascendência do indivíduo. Mas, para efeito deste
artigo, o que interessa é a definição popular, conjugando-a com as definições de
alcunha, cognome, vulgo e epíteto constantes nos dicionários.
Nesse
sentido, os apelidos surgem em função de
alguma particularidade física ou moral, de alguma qualificação boa ou ruim com que alguém é
conhecido ou como uma forma de expressar carinho.
Assim, têm-se os seguintes exemplos de
apelidos mais comuns: Indivíduo loiro: Alemão; negro: Pelé; mau: Hitler; bom:
Madre Tereza; econômico: Turco; estrangeiro: Gringo, etc.
Portanto,
embora haja diferença na definição de apelido e epíteto, o fato é que este se
torna aquele ou cognome ao ponto de ser obrigatório o seu uso após a palavra
vulgo, sempre que tiver que fazer referência ao nome do indivíduo, como no
seguinte exemplo: O Fulano de tal, vulgo alemão.
Já os apelidos carinhosos,
hipocorísticos, conforme consta no Aurélio, geralmente são caracterizados pela
utilização de sufixos diminutivos acrescidos ao nome ou de palavras no
diminutivo. Exs: Ivanzinho, Carlinhos, Marquinhos, Bibi, Didi, Lulu, Vavá,
Zezé, Zezinho. São apelidos muito utilizados em qualquer parte do país,
principalmente entre pais e filhos e entre os casais. Aliás, os apelidos entre
casais merecem destaque, visto que há muitos que chegam a ser engraçados, não
para quem os utiliza, é claro, como por exemplo: amorzinho, chuchuzinho,
amoreco, tutuquinho(a), fofinho(a),
príncipe, princesa, rei, rainha, gatinho(a), moranguinho, mô, benzinho(a),
minha flor, zeni, ...(CHEEEEEGA!!!!).
O certo é que o apelido não depende
da vontade da pessoa e quando “pega” o nome (de registro) passa a ser apenas
para assinatura e preenchimento de fichas cadastrais, pois no dia a dia é a
alcunha a única utilizada, chegando ao ponto do nome não ser lembrado até mesmo
pela própria pessoa. Quem assistiu à entrevista do Baiano no blog http://andirobaexiste.blogspot.com/ percebeu que isso,
embora possa parecer um absurdo, é possível e existe.
Outra observação digna de registro é
o fato de que os apelidos são muito mais comuns nas pequenas e médias cidades.
Não se trata, obviamente, de estatística, mas é provável que o contato diário
entre as pessoas, a partilha das alegrias e tristezas, a sobra de tempo para o
ócio que uma pequena cidade proporciona,
favorecem as imaginações de todos. Constata-se ainda que os apelidos, mesmo que
não sejam carinhosos, são perfeitamente aceitos e a pessoa, depois de algum
tempo, acostuma-se com o novo nome que lhe foi atribuído. Aliás, a experiência
mostra que quanto mais o indivíduo demonstrar irritação por causa do apelido
mais ele é utilizado, chegando ao ponto em que não adianta mais se irritar uma
vez que o seu nome foi esquecido por todos.
Voltando um pouco no tempo pode-se
constatar que apelido ou alcunha ou cognome ou epíteto são utilizados desde a
antiguidade. Os filósofos da Grécia antiga, por exemplo, são distinguidos pelos
locais onde nasceram, como Tales de Mileto (colônia grega na Jônia, atual
Turquia) e Pitágoras de Samos (ilha grega no leste do mar Egeu). Os reis e papas até hoje se utilizam de
cognomes, como Alexandre o Grande, Ricardo Coração de Leão e Bento XVI.
O
Brasil na época do Império, que vai da proclamação da independência até a
proclamação da República, foi governado, além dos regentes, por dois
imperadores: D. Pedro I e D. Pedro II.
Esses nomes, embora tenham sido escolhidos para dar seguimento à
linhagem da família real, são alcunhas que, certamente, facilitaram bastante as
vidas dos imperadores nos momentos de despacharem a assinarem os inúmeros documentos
oficiais, uma vez que os nomes completos de ambos são compostos de mais de uma
dezena de sobrenomes, quais sejam:
D. Pedro I: Pedro de Alcântara Francisco António João
Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano
Serafim de Bragança e Bourbon;
D.
Pedro II: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo
Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael
Gonzaga de Bragança e Habsburgo. (fonte Wikipédia).
No período republicano alguns
presidentes do Brasil ficaram mais conhecidos pelos seus apelidos do que pelos
nomes verdadeiros, p.ex: JK (Juscelino Kubitschek), Jango (João Goulart) e José
Sarney (José de Ribamar). O atual ocupante do Palácio da Alvorada é um exemplo
típico do indivíduo que se acostuma tanto com o apelido que o adota como nome
e, mais , ainda, o acrescenta em seu registro como sobrenome. Com efeito, o
apelido de Lula, que Luiz Inácio da Silva ganhou nos tempos de liderança
sindical, foi incorporado ao seu nome em 1982, por meio de retificação de
registro, passando a assinar Luiz Inácio Lula da Silva.
Portanto, não é de se
estranhar que o Baiano prefira mais seu apelido a seu nome, embora não seja ele,
ainda, um presidente da república.
Muitos
são os políticos que se utilizam de apelidos nas campanhas eleitorais como
forma de chamar a atenção dos eleitores, prevalecendo os que se referem a
animais. São tantos que podem levar os ouvintes desavisados a pensarem
tratar-se de uma propaganda de algum zoológico de grande porte.
Também
os artistas e atletas ficam conhecidos apenas pelos seus apelidos. Eis alguns
exemplos: Didi (Renato Aragão), Dedé (Manfried
Sant'Anna),
Mussum (Antônio Carlos), Zacarias (Mauro Faccio Gonçalves), Zeca Pagodinho (Jessé
Gomes da Silva Filho), Martinho da Vila (Martinho
José Ferreira), Pelé (Edson Arantes do Nascimento),
Garrincha ( Manuel Francisco dos Santos),
Tostão (Eduardo
Gonçalves de Andrade), Vavá
(Edvaldo Izídio Neto), Guga (Gustavo
Kuerten) etc.
Enfim,
chegou o momento de mostrar ao mundo quantos e quais são os apelidos mais
famosos da pequenina Andiroba, valendo ressaltar que, embora haja muitos
apelidos engraçados, a presente divulgação não tem cunho depreciativo. Trata-se
de uma forma de homenagear a comunidade de Andiroba, trazendo os apelidos e
nomes de pessoas dignas e que merecem o respeito de todos. Aliás, diferentemente
dos habitantes das grandes cidades que são conhecidos apenas pelos respectivos
números do CPF ou CI, os cidadãos de Andiroba têm orgulho de possuírem dois ou mais nomes pelos
quais são respeitados e conhecidos por todos. São eles:
1.APELIDOS
ZÔO:
Boi Ladrão: é o apelido do Pelé e ambos são os apelidos do Reginaldo.
Burrão : Vicente. Burrinho: Edson Queixo de Burro: Henrique
Calango Verde é o apelido do Coelho e ambos são os apelidos do Gérson
Calango preto é o apelido do Coelho e ambos são os apelidos do Ednei
Calanguinho: Jean Carijó (galo): Raimundo
Camarão: Márcio Cobrão: Júlio Corujão: Márcio Dragão: Marquinhos Gambazinho: Evânio Guaxinim: Marcos
Jibóia é o apelido do Luiz das Cabritas e ambos são os apelidos do Luiz Pereira.
Leitão: Jeferson Lobão: Cosme Sô Lobo: José
Sarapó: Gestal Sapão: Márcio Tiu:
Hamilton e
Zé Galinha: José Barbosa
2.APELIDOS VARIADOS:
A- Amarelo: Renato. Alô:
José Luiz
B- Bereco: Carlos Bigode: Jaime Buiu:
Alan
Botão: Eudes Bi:
Cleiton Beiçola: Geraldo França
Beiçola: Rômulo Branco: Adailton Bocão: Toninho=Antônio
Brito: João Birico: Eduardo Bornal: Adelson
C- Cabeuça: Evânio Carioca: Jerônimo Cavaquim: Cássio
Cerão: Boneco=Edmar Chibil: Edilson Caraba: Edualdo
Canecão: Geraldo Chuchu: Carlos.
D- Du:
Eduardo Dedé:
Paulo Duca:
José Ribeiro
Dekinha: Juracy Dozim: Doriedson Dumonstro: Eduardo
F- Fia:
Cecília Flor:
Flordeliz
G- Guioday/ Jioday: Edeson
I- Índio: Antônio Inchadinho: Valdemir
J- Jota:
Sérgio Juá:
Deividson João do Boi: João
L- Lô:
Cleide Luana: Wanderley Luquinha ou culuca: Geraldo
(Tia) Lia: Maria Lia:
Maria Leleco: Alexander
M- Mangabeira: Lúcio Mundim: Raimundo
Margarida: Vander Mulatinho: Sebastião.
N- Niguita: Janira Ninika: Quitéria Nikito: Manoel
Nuca: Edna Nen:
Ronald Nena:
Irislene
Nonô: Ademir Nen:
Adenauer
P- Picote: Carlin=Carlos
Paraiba: José Piçarra: Antônio
Pau rolô:
Hamilton Preto:
Wanderson Pezão:Adelson
Pico: Flávia dias Pé-na-cova: Milton
R- Rael
ou Israel: Gilmar
S- Santinho: Sanit’Clair Sem-Terra: Cláudio
T- Tico/ Barulho: Afonso Tatil: Otacílio Tuquinha: Carolyne
Tuquinho: José Gregório Tim:
Ailton Tampinha: Eldânio
Tupã:
Mateus.
V- Viúva do Etelvino: Eny
Z- Zequinha: José Henrique Zinha: Geovânia Zinha: Iris
3.APELIDOS CARINHOSOS
Carlinhos (Carlos Paixão), Gilmarzinho (Gilmar), Debrinha (Débora),
Ivinho (Ivo), Bidu (Abideu), Sô Li (Ely), Leo/Lé(Leonardo) Leninha, Flavinha, Moninha,
Sãozinha e Jôsi.
Esses são alguns exemplos (mais
de cem) que foram catalogados sem muito esforço e sem pesquisa de campo.
Evidentemente que muitos outros serão lembrados e relacionados oportunamente.
Também poderão ser feitas, em artigo próprio, algumas considerações a respeito
sobre como surgiram esses apelidos e, quem sabe, algumas histórias engraçadas
ou interessantes, como, por exemplo, um fato acontecido com o Alô (José Luiz):
Certo dia o Alô resolveu telefonar para um
parente seu. Comprou um cartão, dirigiu-se ao telefone público mais próximo e,
cuidadosamente, apertou as teclas referentes ao número previamente anotado num
papel. Aguardou os toques de chamada e escutou aquela saudação costumeira vinda
do outro lado da linha: -“Alô!”. Surpreendido, ele respondeu: -“Sou eu
mesmo. Mas como é que ocê sabia que era
eu que estava te ligando sô?”
Éder Ângelo Braga.
Colaboradores: Ju
(Juliana), Dé (André), Rael (Gilmar), Gilmarzinho, Leninha, Birico (Eduardo) e
Paulo Sérgio.
Para publicação no
blog de Andiroba: http://andirobaexiste.blogspot.com/.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
ANDIROBA PUBLICA: O AMOR É O CONECTOR DE TODOS OS CREDOS
Numa breve leitura sobre os conceitos fundamentais das principais religiões do mundo, como, por exemplo, o Cristianismo, o Judaísmo, o Islamismo e o Budismo, constata-se, que em todas o ideal do amor é a base doutrinária e a força capaz de unir e superar todas as outras diferenças.
Aliás, é sabido por todos, embora não compreendido ou praticado pela maioria, que é preciso deixar de lado as diferenças culturais, de fé, de cor para que se consiga viver em paz e alcançar a felicidade.
No que se refere às diferenças religiosas, é preciso raciocinar que o tempo da idade média está sepultado. Não há mais necessidade de essa ou aquela religião fortalecer-se e tentar dominar o terreno da outra. Os espaços já estão garantidos e cabe ao indivíduo, cidadão, escolher a que melhor se adapte à sua cultura ou ao seu estilo de vida. Basta divulgar o amor e esperar os fiéis, pois as falsas religiões que não têm o amor como base doutrinária, certamente, tiveram, têm ou terão vidas curtas.
Os líderes espirituais das principais religiões do mundo têm as mensagens de amor, em suas mais variadas facetas, como o carro chefe de suas pregações. O Dalai Lama diz sentir certa compaixão “até mesmo pelo torturador”, referindo-se aos comunistas chineses que torturaram os tibetanos. Também o Papa João Paulo II perdoou o Turco que tentou lhe tirar a vida. Ou seja, para ter compaixão e para poder perdoar, tem que haver um ingrediente especial: o amor.
Outro ponto comum das religiões é a condução de seus fiéis para o bem, ensinando-os a pautarem suas vidas nos caminhos da ética e da moral. Nesse sentido, pode-se constatar que todas elas pregam, por exemplo, que não se deve mentir, matar ou roubar.
Fica claro, portanto, com base nessa reflexão, que não se deve julgar qualquer religião pelos atos terroristas de alguns bandidos que tiram vidas humanas em nome de Deus, sejam eles intitulados de mulçumanos, cristãos ou judeus. Ou seja, diferentemente do ensinamento de Maquiavel, os fins não justificam os meios, e cada qual tem o direito de acreditar no que entende ser o melhor para o seu bem estar. Com a palavra o Dalai Lama:
Ora, por exemplo, como sou monge budista, considero o budismo o mais conveniente. Para mim, concluí que o budismo é o melhor para todo o mundo. Isto está claro. E é categórico. Se eu acreditasse que o budismo era o melho para todos, seria uma tolice, porque pessoas diferentes têm disposições dirferentes. (Dalai Lama- A Arte da Felicidade- por Hward C. Cutler- Martin Fonte, 2008-p.333).
Enfim, no momento em que grandes líderes religiosos pregam a necessidade de todos se tratem com tolerância, amor e compreensão mútua, querem mostrar que, embora não ninguém tenha que abrir mão de suas crenças e tradições, pode-se caminhar lado a lado na luta pela tão sonhada paz mundial.
Nesse sentido, algumas igrejas cristãs no Brasil formaram, em 1982, O CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), que segundo ensinamento do Pe. Flávio Ramos, de Andiroba-MG, define-se como uma associação fraterna de igrejas que confessam o Senhor Jesus Cristo como Deus e Salvador.
Atualmente fazem parte do CONIC: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia.(Pe. Flávio Ramos- Informativo O Conselho-Santa Ana- Andiroba/MG)
Ainda são poucas as igrejas associadas e até o momento não se tem notícias sobre quais foram as ações do CONIC desde a sua fundação.
Entretanto, neste ano a campanha da fraternidade da igreja católica terá a participação do CONIC, cujo lema e tema são respectivamente: “Vocês não podem servir a Deus e o dinheiro (Mt6,24)” e “Economia e vida”.
“O objetivo geral da campanha é colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão.
Os objetivos específicos: - sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem; - buscar a superação do consumismo, que faz com que o ter seja mais importante do que as pessoas; - criar laços entre as pessoas de convivência mais próxima, em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais; - reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica em vista da própria conversão.” (Pe. Flávio Ramos)
Outro ponto que é oportuno ressaltar antes de finalizar o presente artigo é a respeito da necessidade da religião nestes tempos de pós-modernidade, haja vista que há uma corrente muito forte no sentido de desmerecer os trabalhos dos religiosos e das religiões às quais lideram.
É inconteste que a palavra religião tenha recebido, ao longo dos séculos, um significado pejorativo pelos fatos negativos ocorrido em todas elas. Ou seja, é mais fácil lembrar-se da santa inquisição, dos homens bombas e dos sacos cheios de dinheiro no estádio de futebol(Mineirão), do que todos os ensinamentos bons passados a bilhões de pessoas e, certamente, responsáveis por este mundo ainda estar de “pé “. Os fatos negativos foram gerados por pessoas e não pelas doutrinas das religiões a que dizem estarem ligados.
É necessário, pois, que o homem pós-moderno, embora não tenha que ser um religioso nos moldes dos seus antepassados, tenha em mente que o objetivo das religiões é beneficiar as pessoas, indicando-lhe o caminho da felicidade. Um caminho bem mais curto e mais barato do que o do consumismo indicado pelas mídias. Ou, ainda, uma fonte em que todos podem beber sabedoria, prudência, ética, bons costumes, amor, compaixão, perdão e, enfim, paz de espírito.
Por fim, as divergências religiosas, embora remontem ao início da civilização, têm que dar lugar ao convívio fraterno entre os homens e para que isto ocorra todos têm que ceder, ser tolerantes e, principalmente, cultivar o amor: o conector de todos os credos, sem, contudo, repita-se, abrir mão de sua crença e tradição, visto que:
“ As tradições religiosas podem existir lado a lado. Elas não deveriam nem lutar umas contra as outras nem ter de se fundir numa única.” (DALAI LAMA)
Você sabia que de acordo com a Lei 11.635/07 o dia 21 de janeiro é, no Brasil, dedicado à reflexão sobre a tolerância religiosa?
Ass. Éder Ângelo Braga. http://andirobaexiste.blogspot.com/
(Este texto, para publicação no blog http://andirobaexiste.blogspot.com/, é uma adaptação do artigo do próprio autor, publicado no primeiro informativo do Conselho Pastoral Comunitário da Igreja de Santa Ana de Andiroba-MG).
domingo, 17 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A MORTE DO BAIANO
Este primeiro “causo” do Blog tem como protagonista o Sr. Márcio de Oliveira que todos em Andiroba/MG conhecem pelo apelido de Baiano, ou melhor, ninguém sabe que seu nome é Márcio, ou melhor ainda, nem ele mesmo sabia qual o seu nome de batismo e de registro. Baiano sempre foi seu verdadeiro nome.
Eis o seu perfil:
Homem, alto, magro, 60 anos de idade (aproximadamente), solteiro, natural de Icoporanga/ES. Mudou-se ainda pequeno para a cidade de Janaúba/MG na divisa com o Estado da Bahia, originando, daí, o seu apelido (nome). Cresceu trabalhando em fazendas onde aprendeu a profissão de peão/ boiadeiro.
Não foi alfabetizado e, talvez por estar sempre envolvido no meio rural e distante de tudo, nunca fez questão de saber o seu nome completo e coisas supérfluas como, por exemplo, data de seu aniversário ou de quem quer que seja. Mudou-se, ainda jovem, para Ribeirão das Neves/MG exercendo sua profissão no local denominado recanto da mata.
Veio para Andiroba/MG no início da década de 1980, para trabalhar em fazendas de pecuária, lidando com cavalos, burros e bois, não importando se fossem mansos ou bravos, pequenos ou grandes.
Embora tenha passado a maior parte do tempo nos recantos rurais, todos os Andirobenses o conhecem, pois sempre que tinha tempo aparecia nas festas e nos bares da cidade, não abrindo mão da vestimenta típica de um verdadeiro peão/boiadeiro.
Pois bem, o caso de sua morte ora relatado parece ter se iniciado numa de suas fugas da solidão do campo à procura de amigos e, quem sabe, de algum romance na cidade de Andiroba/MG, valendo ressaltar que fazia questão de sempre dizer que coração de peão, por ter não lugar fixo de residência, não se deixa amarrar por mulher.
Entretanto, o destino lhe preparava uma dessas armadilhas que desaba qualquer teoria machista e, talvez por um descuido seu num desses embalos de sábado à noite, seu coração, como o de qualquer homem, abalou-se profundamente ao deparar-se com uma jovem donzela que não lhe negou atenção e afeição, surgindo, daí, uma paixão que nunca, em toda a sua vida, havia lhe acometido com tamanha força.
Os encontros que eram semanais passaram a ser diários e, sem dar muito tempo à amada para se desfazer de outros compromissos, tratou de levá-la para sua casa, elegendo-a, de imediato, rainha do seu humilde castelo.
Foram dias felizes em que o Baiano procurou trabalhar mais perto da casa, de forma a não perder de vista a sua donzela. À tardinha, antes do por do sol, já de banho tomado, sentavam à mesa para o jantar e, entre uns drinks e outros, o papo rolava até tarde. Na verdade, não há relatos da vida amorosa dos dois, mas ao que tudo indica, os primeiros dias foram muitos calientes.
Para o Baiano tudo era novidade e estava muito bom, pois havia tempos que não tinha uma companhia feminina. Entretanto, para a sua “Dorothéia” (diga-se de passagem que o Baiano é a muito parecido com Don Quixote nas gravuras do livro de Cervantes) a monotonia do mundo rural começou a sufocar-lhe e, pensando num modo de amenizar sua angústia, requereu ao amado que abastecesse o lar com mais licor de alambique.
Até aqui, passaram-se pouco mais de quatro semanas e, como qualquer pedido da amada fosse uma ordem, o Baiano tratou de abastecer o lar com os melhores licores alambicados da região, bem como com peças de carnes para churrasco e outras iguarias de modo a tornar aquele final de uma linda tarde do mês de maio numa grande festa a dois.
Entretanto, como se sabe, a angústia tende a aumentar à medida que o álcool ingerido passa a fazer efeito. Assim, não demorou muito para que a amada começasse a desabafar e a jogar a culpa de sua tristeza no companheiro, sob o falso argumento de que ele estava privando sua liberdade, seus encontros e contatos que mantinha na cidade, etc.etc.etc. Quanto mais falava, mais licores bebiam, chegando ao ponto em que o monólogo transformou-se em diálogo e, por fim, o diálogo transformou-se numa rica discussão, própria de um casal em que, além do amor, há ciúmes no ar....
De um lado o Baiano defendia a sua posição possessiva, pois sabia quantos eram lobos maus que estavam na cidade à espreita de seu chapeuzinho vermelho. Portanto, argumentava que a prendia a seu lado em face do grande amor que nutria por ela, desejando, sempre e sempre, a sua presença, fazendo o possível e o impossível para mantê-la, sempre ao seu lado ali na fazenda.
De outro lado a amada argumentava que sentia falta do convívio dos amigos nas noites de Andiroba; que ele ficava o dia todo trabalhando e não lhe dava a atenção que precisava; que sentia falta dos parentes; blá, blá, blá....
Pronto, a confusão estava armada e tudo poderia ser esquecido se evitassem um confronto e fossem dormir para resolverem essas questões no dia seguinte, de cabeças frias. Mas as doses de licor não cessaram de ser ingeridas e a questão, que antes parecia ser simples, transformou-se num problemão e palavrões começaram a serem proferidos por ambas as partes, como por exemplo: corno, piranha, brocha, vagabunda, etc.
Até aí tudo ainda poderia ser esquecido com uma boa noite de sono. Mas, das palavras passaram-se às ações, iniciadas com um pequeno empurrão dado pela amada, e com as seguintes palavras que, foram proferidas por ela: fica longe de mim Baiano!!!!.
Ora, ora, ora! Isso não! Isso é cruel demais para com um amante dedicado e fiel. Ou seja, isso era pedir muito, pois o que mais ele queria era ficar perto, junto e, se possível, colado ao grande amor de sua vida. O empurrão não foi nada, mas essas palavras, e mais uma dose, foram o estopim que faltava ser aceso para a bomba explodir. E explodiu, mesmo. Foi nesse momento de frustração que o Baiano cometeu seu grande erro e, querendo mostrar o tamanho de seu amor, tentou segurar o braço da amante para trazê-la junto a si. Não entendendo o seu gesto, a amada deu-lhe um truculento empurrão que o desconcertou totalmente.
Vale ressaltar que se trata do mesmo Baiano que montava burros bravos, laçava bois e vacas de qualquer tamanho e fazia com que qualquer um desses animais dobrassem os joelhos com um simples (para o Baiano, é claro) aperto nas sua ventas ( narinas).
Aí a tendência era de que tudo piorasse, uma vez que de um lado o Baiano não entendia de onde surgiu tamanha força naquela criatura frágil, meiga, dócil e com um rostinho de menina assustada. De outro, a amante assustada e, sabedora do tamanho da força do Baiano, procurou armar-se com o primeiro objeto que encontrasse.
Infelizmente o primeiro objeto ao alcance de sua mão foi um facão de poda (ferramenta muito utilizada em fazendas e sítios, cuja lâmina de aço é de aproximadamente 60cm de comprimento) e, sem pestanejar, desferiu-lhe um golpe bem no alto de sua cabeça.
Bastante atordoado, o Baiano tenta dizer-lhe que não precisava daquela agressão toda e caminha, cambaleando, em sua direção para tentar tirar-lhe o facão e retomar o diálogo, mas a amada entende que ele quer mais briga e desfere-lhe, com o mesmo facão, o golpe final, que o atinge na lateral direita de sua cabeça.
Cena de filme de horror:
Noite escura (sem lua); área rural de Esmeraldas/MG; casa mal iluminada; sem vizinhos (o mais perto estava a uma distância de aproximadamente 03 Km); sangue esparramado e ainda esguichando das feridas abertas na cabeça da vítima; gemidos de dor e gritos de espanto; o Baiano, forte como era, ainda procurava forças para andar e arrastar, espalhando mais sangue na sala, na escada e na grama ao lado de fora da casa, pedindo por socorro. Um verdadeiro caos...Um horror!!!
Percebendo a gravidade da situação a amada, agora agressora, deixou o local e seguiu pela mata a pé até a casa dos vizinhos mais próximos (03Km), Sr. Mário e esposa. Lá chegando, narrou o ocorrido, pediu ajuda e retornou ao local do crime. O Sr. Mário, por sua vez, saiu, também a pé, em direção à casa do vizinho mais próximo, (01Km) Sr. Brito, encarregado da fazenda, a quem relatou o fato.
O Brito recebeu a notícia, mais ou menos às 19:30h, e assim relatou a seqüência dos fatos ocorridos:
Quando recebi a notícia não sabia se o Baiano ainda estava vivo, mas tinha que tomar uma atitude, pois não havia ambulância na cidade e nem carro disponível na fazenda. Assim, dirigi-me a pé à casa do Gerson (vulgo calango ou coelho), mais ou menos 01 Km, e solicitei seus serviços de taxista para que me levasse ao local do crime. Lá chegando encontramos a mulher sentada na escada da casa e o Baiano estirado na sala, imóvel e todo ensaguentado.
A mulher, quando no viu foi logo dizendo: Gente, acho que matei o Baiano!
Realmente, parecia que ele estava morto, pois, de longe, não percebi sua respiração. Então pedi ao Calango (o Gerson ou Coelho) que se aproximasse da vítima para verificação, pois eu não estava me sentindo muito bem ao visualizar tanto sangue espalhado. O Gérson então retornou e disse:
-Ele tá vivo sô. Só que tá muito machucado e gemendo muito fraquinho.
Falo com franqueza, nunca vi tanto sangue esparramado e no corpo de um homem. Mas dava para ver que os cortes eram na cabeça e, talvez pela quantidade de sangue, pareciam enormes. Bem, daí enrolamos o Baiano num cobertor, o colocamos no banco de trás do carro e partimos imediatamente para Esmeraldas pela estrada de chão batido(mais ou menos 18Km). Lá chegando fomos direto para o Hospital Municipal, onde o deixamos, ainda com vivo. Preenchemos a papelada e, como não podíamos fazer mais nada, retornamos e demos um jeito de avisar os parentes.
Depois disso, nos dois primeiros dias seguintes, as únicas informações que chegaram à Andiroba eram de que o Baiano fora transferido para o hospital de Sete Lagoas e/ou Ribeirão das Neves.
Até que, no terceiro chegou a notícia segura de que o Baiano morrera e fora sepultado em Ribeirão das Neves.
Após essa triste notícia restou à comunidade católica solicitar, numa das missas quinzenais celebradas na Igreja de Santa Ana, cartão postal de Andiroba/MG, que a celebração fosse em intenção da alma do Baiano (ninguém sabia seu nome), de forma que fosse recebida e confortada nos mais sagrados recantos do céu. E assim foi feito.
Cumprido o dever cristão, o sentimento de perda de uma pessoa tão envolvente foi suplantado pela memória de sua alegria de viver. Enfim, a vida continua; ninguém nasce para ser semente; foi a vontade de Deus; são coisas da vida e o destino de cada um está traçado, etc.
Acontece, porém, que passados uns dois meses do ocorrido, surgiu um boato na cidade de que alguém havia visto a assombração do Baiano andando a pé, sem barba, cabeça raspada, bem vestido e com uma faixa branca enrolada ao lado da cabeça.
Evidentemente que, à primeira vista, nem de longe poderia ser a assombração do Baiano, uma vez que ele NUNCA: a) foi visto andando sem ser num lombo de cavalo; b) raspou a barba; c) vestiu roupa diferente da de peão/boiadeiro e d) deixou de usar chapéu. Mesmo assim o alerta foi geral e os boatos aumentaram. Alguns diziam acreditar, outros não e muitos ficaram na dúvida. Como canja de galinha e precaução não faz mal a ninguém, embora ninguém admita, dava medo somente em pensar na figura de uma assombração do Baiano com uma faixa branca na cabeça, sem barba e sem chapéu numa estrada escura. E as crianças? Os pais preferiam não contar, visto que a maioria das crianças (e alguns adultos desavisados) já tinha algum receio quando via o Baiano (vivo) à noite dormindo em cima da cela do cavalo a caminho de sua casa. Quanto mais nas vestes descritas pelos boateiros. Ao que tudo indica muitos andirobenses deixaram de andar sozinhos nas ruas e nas estradas, principalmente à noite.
Mas, essa situação foi logo resolvida. Num certo dia de sol claro, o medo foi aos poucos se transformando em espanto para, finalmente, transformar-se em alegria, quando, de repente, Andiroba recebe novamente uma de suas figuras mais ilustres, não em forma de assombração, mas em carne e osso (mais osso do que carne,é verdade). Eis que aparece o Baiano, “vivinho da silva” e já sem a faixa na cabeça que tanto passeou nas mentes dos Andirobenses. Naquele momento, de chapéu tampando as feridas já bem cicatrizadas na cabeça, conta a todos toda a trajetória nos hospitais e sua rápida recuperação admirada pelos médicos e enfermeiros. Portanto, o boato inverídico não foi o de sua aparição em forma de assombração, mas o de sua morte.
Assim, termina este pequeno “causo” com um final feliz e hoje, passado mais de um ano e meio do ocorrido, o Baiano continua trabalhando muito, apreciando uma(s) boa(s) dose(s) de cachaça (o tal licorzinho alambicado), uma Skol gelada, um chapéu de peão/boiadeiro, um bom cavalo arriado e uma narração de rodeio acompanhada de uma boa música caipira.
Entretanto, quando o assunto é mulher e paixão, o Baiano muda logo de assunto, demonstrando claramente que o trauma ainda não passou completamente.
Mas parece que as coisas estão mudando para o Baiano neste ano novo que se inicia. Ou seja, com sua história publicada num Blog e seu vídeo divulgado no Youtube, o mundo inteiro vai conhecê-lo e, quem sabe, outra paixão tomará conta de seu coração traumatizado, mas romântico e cheio de amor para dar. FIM.
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